Triatlo solo de longa distância no Parque Nacional de Grand Teton: o que treinar e competir sozinho realmente ensina
Imagine a chegada: 26,2 milhas lentas com as pernas cansadas, seguidas de um mergulho exausto nas águas frias do Jenny Lake enquanto o pôr do sol tinge os Tetons de rosa. Não há arco de chegada, medalha nem voluntário esperando com uma manta térmica. Só você, seu relógio e as montanhas.
Foi assim que Evan Robinson-Johnson terminou um triatlo de distância completa feito por conta própria: 2,4 milhas de natação, 112 milhas de bike e uma maratona de 26,2 milhas no Parque Nacional de Grand Teton. Em um ensaio para a Runner’s World, ele conta como foi essa prova de resistência solo, com uma primeira tentativa fracassada, dois pneus furados, ajuda de desconhecidos e um final que ele não esperava.
Se você já se perguntou se precisa de um evento oficial para encarar um grande objetivo, esta história é para você. Veja como ele treinou, o que deu errado e o que outros atletas podem aprender, principalmente se você está planejando sua primeira aventura ao ar livre ou seu primeiro triatlo de longa distância.
A ideia ganha forma: uma alternativa mais barata e flexível
Tudo começou com uma ideia simples. Um amigo de Seattle sugeriu que eles treinassem para uma prova de distância 70.3 em costas opostas. O amigo treinaria no Pacífico, enquanto Evan treinaria na baía de Chesapeake. Eles planejavam se encontrar em Nebraska para um evento organizado ou economizar nas viagens fazendo seus próprios eventos mais perto de casa.
Então o amigo desistiu por causa de uma lesão no joelho. Evan continuou treinando.
Indo sozinho
Depois de 16 semanas de preparação, Evan completou um esforço solo de meia distância. Incluiu uma viagem até Annapolis, em Maryland, e de volta durante uma tempestade de neve, além de 84 voltas em uma piscina comunitária para completar as 1,2 milha de natação. A experiência dele mostra como o treino por conta própria pode exigir improviso: uma piscina, uma estrada e um pouco de determinação podem levar você até o fim das distâncias.
Subindo o nível
Mais tarde, Evan se mudou para Jackson, Wyoming, e mirou um esforço de distância completa. Ele planejou dobrar a maior parte do bloco de treino do 70.3, mas não os longões de corrida do fim de semana. O raciocínio dele era simples:
O cronograma, do jeito que estava escrito, rapidamente me faria correr maratonas no dia seguinte a pedaladas punitivas que levavam meio dia.
Lição: Não siga uma planilha de treino às cegas. Adapte-a ao seu corpo e à sua agenda, e faça da recuperação parte do plano.
Treinando à sombra dos Tetons
Evan treinou diante de um cenário espetacular. Suas corridas em trilhas e nados em lagos o levaram além do que ele havia feito nas equipes de cross-country e de natação do colégio. A paisagem ajudou, mas encaixar o treinamento de resistência na rotina ainda deu trabalho.
- Ele tinha um emprego das 9 às 17. Os treinos longos exigiram uma agenda criativa.
- A maioria dos treinos foi solo. Alguns amigos o acompanharam em nados e pedaladas, mas ele treinou quase sempre sozinho.
- Ele testou tudo antes. O esforço solo de meia distância permitiu que ele avaliasse o percurso, o equipamento e a forma física.
- Ele fez uma prova preparatória. Na semana anterior à data-alvo, participou de um triatlo curto de gravel em Steamboat Springs, no Colorado, e ficou em segundo lugar na categoria de estreantes.
A natureza selvagem virou parte da motivação dele: “A alegria de treinar em uma natureza intocada... acabou sendo uma motivação sólida.” A constância também apareceu. “Depois de perder apenas alguns treinos em 16 semanas, eu me senti pronto.”
Lição: Você não precisa de uma equipe para ser constante. Encontre um motivo para aparecer: um percurso bonito, a mensagem de um amigo ou uma data no calendário. Se você está começando, nossos presentes para triatletas podem ajudar você a cobrir o básico e se sentir mais preparado.
Quando a fumaça chegou: a primeira tentativa fracassada
Evan fez o polimento, mas uma densa névoa de fumaça de incêndios florestais vinda da Costa Oeste encheu o vale no dia escolhido. A natação foi tranquila e a bike correu bem, mas ele sentia os pulmões “trabalhando em dobro”. Quando começou a corrida, a maratona à frente parecia impossível. A temperatura chegou a 80°F, e ele molhava o rosto e as mãos em todos os riachos por onde passava.
Na milha sete, começou a caminhar. A primeira tentativa havia terminado.
A saída fácil
Evan é sincero sobre por que desistir pareceu fácil. Sem uma taxa de inscrição cara nem gastos de viagem para compensar, havia pouca pressão externa para continuar. Nas palavras dele, era “muito mais fácil desistir a qualquer momento”.
Mas essa flexibilidade também lhe deu outra chance. Depois de uma chamada de FaceTime com os pais, ele percebeu que podia tentar de novo no fim de semana seguinte. Como ele mesmo disse: “Este é o meu quintal.”
A nova tentativa
Evan esperou a fumaça passar e fez um polimento mais razoável. A mensagem de um amigo também ajudou: “Você tem a forma física; só precisa de um dia melhor.”
Ele manteve em mente um ditado das montanhas: às vezes não é o seu dia de chegar ao cume.
Uma observação sobre a qualidade do ar: A fumaça de incêndios florestais é um risco à saúde, não apenas um incômodo. Consulte o índice de qualidade do ar da sua região antes de treinos longos ao ar livre e não trate um dia de ar ruim como um teste de coragem. Mudar um treino de dia é inteligente, não é fraqueza. Se você tem asma ou outra condição respiratória, converse com seu médico sobre quando ficar em ambientes fechados.
Lição: Um DNF em uma prova sem apoio não precisa significar fracasso. Ele pode trazer informações úteis. Inclua uma data reserva no plano para que um dia difícil não acabe com o objetivo.
Segunda tentativa no Jenny Lake: preparação encontra adaptação
A segunda tentativa foi diferente:
- Alimentação melhor. Evan trocou as barras de proteína de 20 gramas por fatias de maçã e um sanduíche de ovo.
- Clima melhor. A fumaça tinha sumido, o céu estava nublado e uma chuva leve no meio da pedalada ajudou a manter o corpo fresco.
- Um problema mecânico. Na milha 100, o pneu traseiro furou.
“Sendo o ciclista de estrada novato que sou”, ele escreve, não tinha seguido o conselho de um amigo mais experiente de levar um kit de remendo. Por sorte, chegou ao Jackson Lake Lodge, onde dois bikepackers da rota Continental Divide dividiram com ele itens básicos. Trinta minutos depois, ele estava em movimento de novo.
Chegou ao estacionamento do Jenny Lake justo quando o pneu furou pela segunda vez. O odômetro marcava 112,05 milhas. “Ufa!”
Flexibilizando as regras
Evan também decidiu usar fones de ouvido e música, mesmo que isso não fosse permitido pelas regras oficiais de uma prova. Ele sentiu que isso substituía parte da emoção que receberia de competidores e espectadores em uma prova de verdade. É uma forma de moldar uma prova caseira de acordo com o que ajuda você a manter a motivação.
Depois de 26,2 “milhas em ritmo médio”, ele parou o relógio e se jogou nas águas frias do Jenny Lake enquanto o pôr do sol emoldurava as montanhas. “Serei para sempre um homem transformado”, pensou.
Lição: A preparação importa, e a capacidade de se adaptar também. Se você está montando seu próprio kit para o dia da prova, nossos itens essenciais para a temporada de provas podem ajudar você a conferir se itens de reparo e nutrição estão garantidos.
O que realmente importa: o anticlímax
É aqui que a história muda. Evan dormiu até mais tarde, voltou ao trabalho na segunda-feira e se sentiu “orgulhoso, mas basicamente igual”.
Conforme os dias ficavam mais curtos, nenhum novo objetivo apareceu, e ele foi se inclinando para caminhadas mais longas. Não se sentiu mais forte, mais disciplinado nem mais motivado do que antes. Sem outros atletas fazendo a mesma coisa ao mesmo tempo, as distâncias passaram a parecer menos significativas:
“Sem outras pessoas fazendo exatamente as mesmas coisas ao mesmo tempo, as distâncias pareciam arbitrárias.”
The Picnic versus a chegada da longa distância
Evan compara a experiência com uma aventura anterior: o Teton Triathlon, conhecido como The Picnic. Esse percurso não oficial inclui 20 milhas de bike até o Jenny Lake, uma travessia a nado do lago e a subida do Grand Teton, de 13.775 pés, cerca de 7.000 pés acima do vale, antes de refazer o caminho de volta. Ele levou 22 horas e diz que “faria de novo num piscar de olhos”. Para ele, o desafio era testar a si mesmo, não vencer um pelotão, e foi mais satisfatório do que o esforço de distância completa.
Propósito compartilhado
Evan dá outro exemplo. Quando correu a Maratona de Chicago, a arrecadação de fundos obrigatória deu um propósito à prova. Ele não ficou decepcionado por não conseguir um tempo de qualificação para Boston, porque ainda assim atingiu a meta de arrecadação.
Poucas semanas depois da própria prova, ele se juntou a um homem que corria uma 50K em cada estado ao longo de 50 dias para arrecadar US$ 1 milhão para a Make-A-Wish Foundation. Evan diz que aquela 50K lenta e conversada “tem tanto significado para mim quanto todo o trabalho que fiz pela minha” prova de longa distância.
“Talvez porque seja um pouco menos egoísta. Ou talvez porque foi compartilhado.”
Lição: Pergunte a si mesmo para quem é isso. Conectar um desafio pessoal a uma causa, a um amigo ou a uma comunidade pode mudar a forma como você o vive.
Prova caseira versus evento oficial: uma comparação rápida
| Caseira / não oficial | Prova oficial | |
|---|---|---|
| Custo | Baixo: sem taxa de inscrição e com viagem mínima | Taxa de inscrição mais viagem e hospedagem |
| Apoio | O que você leva ou organiza por conta própria | Pontos de hidratação, fiscais de percurso e apoio médico |
| Flexibilidade | Escolha a data e tente de novo se precisar | Data fixa |
| Compromisso | Totalmente interno | Embutido, por meio do público, do cronometragem e dos outros competidores |
| Reconhecimento oficial | Sem resultados oficiais | Resultados oficiais |
Nenhuma das opções é melhor para todo mundo. Alguns atletas se esforçam mais com a energia da competição, mas Evan diz: “Não sei se teria feito diferença para mim.”
Perguntas frequentes sobre ir sozinho
Um triatlo de longa distância caseiro conta?
Conta para o que você quiser que conte. Evan queria descobrir se o corpo dele conseguia “encadear as distâncias”. Uma prova sem apoio não aparece nos resultados oficiais, e tudo bem se o seu objetivo é uma conquista pessoal. Se você quer um tempo oficial ou um resultado de qualificação, escolha um evento oficial.
Como treinar sozinho, sem treinador nem grupo?
Comece com um plano estruturado, ajuste-o à sua vida e faça um evento de teste primeiro. O ensaio de meia distância e a prova de gravel preparatória deram a Evan um retorno muito útil.
Quais cuidados de segurança importam?
Estas sugestões são orientações gerais, não detalhes do ensaio de Evan. Compartilhe seu percurso e seu horário previsto com alguém, leve celular e documento, confira a qualidade do ar e o clima e se prepare para furos de pneu. Evan recebeu ajuda dos bikepackers, mas você não deve contar com desconhecidos por perto na hora em que precisar.
Quais equipamentos são essenciais?
No mínimo, leve um kit de remendo ou uma câmara reserva e aprenda a usá-los. Você também vai querer um plano de nutrição testado nos treinos.
Principais lições
- A liberdade tem dois lados. Eventos solo eliminam custos e pressão, mas também eliminam o compromisso embutido.
- Preparação evita drama. Leve itens de reparo, saiba usá-los e pratique sua nutrição.
- Uma tentativa fracassada nem sempre é um fracasso. Uma data reserva pode diminuir a pressão e dar a você a chance de tentar de novo.
- O propósito pode importar mais do que a distância. Para Evan, a 50K compartilhada significou tanto quanto a própria prova de longa distância.
Seus próximos passos
- Planeje primeiro um evento-teste caseiro. Um esforço de meia distância pode revelar problemas de equipamento, forma física e logística antes do seu grande dia.
- Inclua uma data reserva. Um dia de ar ruim ou de mau tempo não precisa acabar com o seu objetivo.
- Leve itens de reparo. Aprenda a consertar um furo antes de precisar.
- Pergunte: “Para quem é isso?” Una seu objetivo a uma causa, a um amigo ou a uma comunidade se quiser que ele tenha um significado duradouro.
Esteja você em Jackson, em Jalisco ou em São Paulo, a ideia funciona em qualquer lugar. Você não precisa viajar para outro país para se testar. Às vezes, o melhor percurso é o do seu próprio quintal.
Pronto para planejar o seu próprio desafio? Confira os itens de viagem para o dia da prova ou explore equipamentos e presentes de triatlo para se preparar. E conte para a gente nos comentários: qual é a sua prova caseira ou o seu desafio pessoal?
Quais distâncias formam um triatlo de distância completa?
Um triatlo de longa distância completa consiste em 2,4 milhas de natação, 112 milhas de bike e 26,2 milhas de corrida.
Onde Evan Robinson-Johnson completou o triatlo caseiro de longa distância?
Ele o completou no Parque Nacional de Grand Teton, com largada e chegada perto do Jenny Lake.
Por que a primeira tentativa de Robinson-Johnson no triatlo de longa distância terminou mais cedo?
A fumaça de incêndios florestais dificultou a respiração, e a temperatura chegou a cerca de 80°F. Depois de caminhar por volta da milha sete da maratona, ele decidiu parar e tentar de novo quando as condições melhorassem.
Como ele lidou com o pneu furado na tentativa bem-sucedida?
Depois que o pneu traseiro furou por volta da milha 100 da pedalada, bikepackers no Jackson Lake Lodge dividiram itens básicos de reparo. Ele seguiu até o Jenny Lake, completando 112,05 milhas antes de o pneu furar de novo.
O que Robinson-Johnson mudou na nutrição para a segunda tentativa?
Ele trocou as barras de proteína por fatias de maçã e um sanduíche de ovo, dizendo que a nutrição estava mais bem planejada para a segunda tentativa.
O que completar um triatlo solo de longa distância ensinou a ele?
Ele descobriu que completar as distâncias foi pessoalmente satisfatório, mas que o desafio pareceu menos significativo sem um propósito compartilhado ou outras pessoas vivendo aquilo ao lado dele. Uma 50K beneficente que ele acompanhou depois pareceu igualmente significativa para ele.
O que é o Teton Triathlon, também chamado de The Picnic?
The Picnic é um desafio não oficial que consiste em pedalar até o Jenny Lake, atravessá-lo a nado, subir o Grand Teton e depois refazer o percurso no sentido inverso. Robinson-Johnson disse que levou 22 horas.
#SoloTriathlon #TriathlonAdventure
Fonte: https://www.runnersworld.com/news/a74149613/solo-ironman-national-park/
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